Prezadas gateiras e gateiros, infelizmente tenho uma péssima notícia para dar. Daquelas que a gente gostaria de nunca acontecer, por mais inevitável que seja, e sofre em pensar com a possibilidade que este dia chegue. Mas ele chegou…

No dia 24 de janeiro de 2018 as 15h30, uma quarta-feira ensolarada na cidade do Rio de Janeiro, Black Power Dias, o querido Bleckim, morreu de insuficiência geral dos órgãos, e teve misericórdia em sua dor através da eutanásia.

Ele foi enterrado no sítio da família, embaixo de um pinheiro bravo, junto com todos nossos bichos já falecidos. Coloquei ele em um caixãozinho azul, cheio de flores, com um desenho nosso de na tampa.

Vou contar toda a saga para ficar registrado para posteridade. Quinta passada ele começou a respirar com dificuldade e os olhos fixos. Levei ele a querida veterinária e descobrimos que estava com água na pleura, a membrana que envolve os pulmões.

Há seis meses estávamos tratando cistite, colangite, lipidose, e com a água na pleura descobrimos que ele tinha linfoma.

Mas o corpo do Bleckim já estava cansado e não aguentou começar a quimioterapia. Quando a medica falou que não tinha mais jeito, eu quis sumir, queria que fosse mentira, mas não era.

A eutanásia foi a decisão mais difícil que já fiz, mas meu gato já estava há uma semana respirando mal, taxas sanguíneas loucas, sem condições de lutar.

Fiquei com ele, conversei, brinquei com seu rabo e enchi, mas enchi ele de beijos. Amassei suas almofadinhas, cantei as músicas dele (Pretim, assim você me deixa loka), falei que ele foi o melhor gato do mundo, e que ele já podia fazer a passagem pois eu já estava pronta.

Não sei quanto tempo fiquei ali. Talvez uma hora, talvez mais. Queria que aqueles últimos momentos juntos não acabassem, queria que o tempo parasse, talvez que ele voltasse. Afinal, eram nossos últimos momentos, o fim de nossa história.

O Black chegou 2 meses depois de uma separação de um relacionamento de 10 anos, e trouxe muito brilho e alegria para minha vida! Dei mamadeira, coloquei para fazer xixi, cocô e tratei sua rinotraqueíte aguda que quase o matou.

Quando era pequeno ele era hiperativo. Jogávamos futebol, eu buscando e jogando a bolinha, ele fazendo defesas espetaculares. Brincávamos de pique esconde pela casa, e trabalhávamos muito. Eu no computador e ele sempre do lado no puff ou na frente do meu notebook chupando o dedinho.

Ele teve uma fase que destruía todos tipos de cordas ou alças. Começou com as cordas dos sacos de guardar sapato que ficavam sem querer para fora do armário. Depois foram as sandálias, destruindo três lindas que tinham um detalhe no dedão e uma havaiana novinha. Sem contar a vez que comeu as alças de duas camisetas que minha amiga deixou em cima da minha cama por alguns minutos e também as alças do vestido caríssimo de outra.

Nesta mesma época ele amava deitar nas minhas plantas para dormir. Algumas morriam, mas era fooofo!

Gostava de conversar com as pessoas, adorava miar de volta. Apesar de falador, era um gato super carinhoso e tranquilo. Difícil imaginar que vou dormir sem ele miando e se aninhando no travesseiro para chupar o dedinho enquanto amassa pãozinho na minha mão ou no meu cabelo. Como dormir sem o Black na cama? Quando eu levantar para beber água ele não vai me acompanhar na cozinha para fazer aquela boquinha de ração.

Dói pensar que ele não vai parar do lado do meu computador e ficar igual a uma estátua olhando fixo para frente do teclado, sua maneira de pedir para eu afastar o computador e ele sentar na frente e chupar o dedinho enquanto faz carinho nas minhas mãos, sentindo aquele bafinho, que eu achava delicioso. E o arrotinho fofo que ele dava depois de chupar o dedo? Como viver sem esse arrotinho???

Ele tinha a pança pendurada, igual a cadela que teve muito filhote. Era comum ele correr no corredor e a barriga balançar nas laterais. Várias pessoas perguntavam: ela teve filhote agora? Eu respondia: ele é macho, é só a pança dele mesmo! Rss

E quando eu pegava ele no colo e ele se espreguiçava todo e dava para ver as perninhas tortinhas dele, arcadinhas como as minhas!

Como meditar de manhã sem ele? Na hora de meditar eu chamava: vem Preto, bora meditar! Eu sentava e esperava um pouco, não demorava ele aparecia na porta. Aí eu colocava ele no meu colo para chupar dedo. Uma delicinha!

Quando eu sentava no sofá ele subia no meu colo, colocava sua testa na minha testa e ficávamos paradinhos curtindo o momento enquanto eu fazia cafuné atrás de sua orelhinha. Depois ele chupava o dedo por uns 20 minutos, arrotava e pulava do meu colo para deitar em algum lugar gostosinho ali por perto.

Mas o pior vai ser abrir a porta, as minhas gatas estarem na porta me esperando, só que dessa vez o preto não vai aparecer no fim do corredor, com aquela cara de quem acordou agora, e dar um miadinho preguiçoso para mim.

Minha afilhada escreveu uma coisa linda, e vou colocar um trechinho aqui. pois ela sintetizou meus sentimentos da maneira mais linda.

“Sabemos que ele agora descansa e que nessa vida foi muiiiito muito amado, trouxe muita alegria e deixou muito amor. Além de ter te inspirado em tantos feitos incríveis. Um abraço forte em ti, sei que essa hora não é fácil, mas pode ter certeza que a troca entre vocês foi tão intensa e linda que superar essas barreiras de tempo e espaço. Bleckim é muito amor, com certeza agora tá iluminando, ronronando e chupando dedo no céu dos gatos.”

Meu melhor amigo, o maior amor da minha vida, meu parceiro de trabalho, de brincadeiras, meu docinho, meu Preto, Pretim, Black, Bleckim, Bleckinho! Você mudou minha vida. Obrigada por tudo. Um dia nos encontraremos de novo.

Meu Preto, obrigada por tudo amor. Aproveita muito agora que você está no céu com o vovô (meu pai) e todos nossos queridos gatinhos: Floquinho, Musoca, Pitú, Orloff, Domeq e Spangueta. Ah, pede pro vovô colocar você para chupar dedinho.

Adeus meu amor, e obrigada! Descanse em paz Bleckim. Um dia nos encontraremos de novo.

BLECKIM – (Black Power Dias)
✭05/11/2005
✝ 24/01/2018